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Roteiro pelo centro de São Paulo

Uma quebra na rotina de cidades européias, resolvi falar hoje de uma brasileiríssima.

Muitas pessoas falam que só somos turistas na cidade dos outros. Faz tempo que faço de São Paulo minha cidade aos fins de semana, desde 2007. E mesmo assim, nunca tinha conhecido alguns pontos principais da cidade. Semana passada resolvi acabar com isso. Guga e eu fomos à um passeio no centro de São Paulo a pé. ADOREI! Iniciamos o passeio pela praça da Sé, o marco zero da cidade. Um pequeno monumento que serve como indicação das rodovias que saem da capital. Descemos na estação de metrô do mesmo nome, e andamos até a Catedral da Sé. Ela começou a ser construída em 1913 e foi conluída em 1954. No local original da antiga Catedral de São Paulo, construída em 1589. Ela lembra muito a Catedral de Notredame, talvez por serem do mesmo estílo arquitetônico, o gótico. Achei lá dentro belíssimo.

De lá, partimos ao Largo de São Francisco, onde fica a faculdadejurídica mais antiga do Brasil, criada em 1827.  Uma pena o prédio da faculdade estar fechado, pois seria interessante ver como ele é por dentro. O prédio lemra aquelas construções da época do Império, e ao lado tem uma Igreja de São Francisco muito bonitinha. Por um momento, me lembrou Salvador e o Pelourinho.

Chegamos ao Pátio do Colégio (ou Páteo do Colégio), local de fundação da cidade, e onde está localizado o Museu do Anchieta, sobre o Jesuíta. Além de uma capela, foi recém reformada, possui um altar com um crucifíxo do século XVII e fundo de azulejos dourados. Mas a arquitetura da capela é bem simples, como deveria ter sido na época da fundação. Uma peça peculiar que está em exposição lá dentro, é o fêmur do Padre José de Anchieta. Não me pergunte o porquê, nem a razão de ter apenas um osso da perna… rs

No mesmo local, existe um café-restaurante super charmoso, Café do Pateo, cheio de jardins e mesinhas. Eles servem almoço e várias sobremesas. Para quem gosta, recomendo a tortinha de morango, uma das melhores que já comi. Os pratos individuais custam por volta de R$ 22 a R$ 30. Dalí andamos bem pouquinho e saímos na Ladeira Porto Geral (Metrô São Bento), porta de entrada para a super conhecida região de comércio ilegal da 25 de março. Como sempre estava bombando. Se for se aventurar a descer a ladeira, esteja preparado para o empurra-empurra muvuca. Como sou habitué da 25, não fui até lá. Você ainda pode passar pelo Mosteiro de S. Bento ( onde ficou hospedado o Papa), e subir no prédio do Banespa, aquela torre famosíssima (apenas em dias de semana) 

Voltei em direção à praça da Sé, em direção à praça João Mendes, segui na direção da Liberdade. Foi lá onde almocei . Bairro dos imigrantes orientais da capital paulista, a região é um prato cheio – desculpe o trocadilho – para quem gosta de comida oriental. Existem restaurantes, japoneses, chineses, coreanos, enfim… Minha recomendação é um por quilo, Itiriki, que fica bem na Praça da Liberdade mesmo. Há uma farta opção de pratos da culinária chinesa e japonesa, à preços acessíveis. O bairro tem existem lojinhas com produtos orientais, mercadinhos e uma feirinha cheia de produtos bacanas. Para as mulheres: na rua Galvão Bueno, tem uma loja de cosméticos de vários andares, a Ikesaki, e shoppingzinhos com boxes de produtos de cabelo de marcas ‘premium’ um pouco mais baratos que o convencional.

Fiz tudo isso e quando decidi voltar para casa, estávamos no meio da tarde, 15 h. Cheguei a uma conclusão, São Paulo aos fins de semana é uma cidade maravilhosa! Nos oferece opções infinitas do que fazer. Só uma recomendação… Ao fazer esses passeios é bom ir de manhã e estar bem atento aos pertences, pois o local tem muitos moradores de rua, viciados e etc.  Oportunistas furtam carteira, celulares, e outros pertences de valor, ou te assaltam na cara dura. Então vá previnido, bolsa sempre visível, muita atenção e nada muito ostentoso na roupa e acessórios. Os contrastes da cidade… rs

 O mapinha abaixo só falta a região da liberdade, mas é super fácil chegar a partir da praça da Sé. Seguindo o traçado, dá para conhecer tudo que falei e muito mais.

Mapa do centro
Mapa do centro

Para quem não quiser se aventurar sozinho, existem passeios organizados em grupos, pelo centro. Eles acontecem de terça a domingo, às 10h e às 14h. São cerca de 2 horas de passeio, sem visita interna aos prédios. O ponto de partida é na praça Antonio Prado, 9. Informações: 0/xx/11/ 3241-5822 (ramal 221).
 

Outros  passeios:

Andar vagarosamente, absorvendo a Av. Paulista desde o início na Av. Bernardino de Campos, até a Rua da Consolação. Acho uma das mais bonitas avenidas que já conheci. Os prédios, alguns casarões, o movimento dos carros, o Conjunto Nacional. (Faça isso de preferência fora dos horários de pico ou no fim de semana, para não correr o risco de ser levado pela multidão de trabalhadores)

 

Descer no metrô Praça de República e andar na Av, Ipiranga até avistar o Copan, prédio projetado por Niemayer. Passo lá sempre, e sempre ele me chama atenção. Siga até a Av. Consolação, e chegue na Catedral, belíssima também.

Sandman’s New Europe Tours

Eu já tinha ouvido falar de várias empresas que fazem tours a pé nas diversas cidades européias. Elas fazem sucesso porque normalmente têm um valor reduzido, já que não há o custo com a locomoção entre os pontos e você tem mais contato com a cidade. Pesquisando na internet, encontrei a Sandman’s New Europe Tours. A empresa possui passeios em: Amsterdam, Berlim, Dublin, Edimburgo, Hamburgo, Londres, Jerusalem, Madrid, Paris, Munique, e logo terá em Bruxelas, Praga e Tel Aviv. Em cada uma delas há o passeio gratuito, e diversas opções pagas em torno de 10 euros.

Eu fiz o free tour em Londres e adorei!  Lá, o tour de graça é o Royal London. Você passa por todos os pontos ‘reais’ da cidade: palácios: Buckingham, troca da guarda, casa do Henrique VIII, casa do Primeiro Ministro, Gabinete do Winston Churchill, Parlamento e muitos outros lugares importantes relacionados ao governo do Reino Unido. (Para quem se interessar em saber os outros locais por onde passa esse tour, clique aqui)

Os grupos para esse tour (em espanhol ou em inglês) de aproximadamente 20 pessoas cada, partem do Wellington Arch, em frente ao Hyde Park, todos os dias as 11h. Agora se o tour é grátis como os caras ganham dinheiro? Explico… Apesar de ser de graça, no final eles pedem uma contribuição, você dá o valor que achar adequado. Por isso eles se esforçam para ser os melhores. Não há nenhuma coação, o guia  não conta o dinheiro que você entrega, simplesmente enfia tudo nos bolsos junto com os dos outros sem nem olhar o que tem na mão dele. (Muito diferente do Contiki) No meu, teve gente que não deu nada, só sairam andando e pronto, o guia não fez cara feia nem nada. Outra forma da New Europe Tours ganhar dinheiro é com os tours pagos. Pessoas que não conhecem a empresa, dificilmente irão logo de cara nas excursões pagas, não é? Mas se elas experimentam o gratuíto, e ele foi muito legal, não hesitarão em ir aos pagos também.  O guia não esquece de mencionar que estarão em outro tour (pago) no dia seguinte. Como o preço não é alto, e a experiência é muito boa, você acaba indo, se tiver tempo e disposição. Eu gostaria de ter feito em todas as cidades em que visitei.

Guia do meu tour

Guia do meu tour

Achei o máximo porque o guia sabia muito sobre a história de lá. Para você ter uma idéia, ele tinha mestrado em história de Londres, mas nem por isso era chato ou prepotente. Ele era jovem (como dá para ver na foto), muito engraçado e totalmente teatral. Sempre tinha algo interessante para falar sobre qualquer lugar em que estávamos, e conseguia prender a atenção do grupo. Além disso, a interação com ele e perguntas eram sempre bem-vindas.

 Só aviso uma coisa, o tour é a pé, então se prepare para 3h initerruptas de caminhada, sapato confortável e disposição são fundamentais, mas vale a pena. Sozinho você não ia saber quem andou por alí do mesmo modo que você, ou do bêbado que invadiu o Palácio de Buckingham sem a guarda real perceber, entrou no quarto da rainha Elizabeth, bateu um papo com ela, e só foi tirado quase meia hora depois. E é bom levar um lanchinho para aplacar a fome durante o passeio, porque não dá tempo de parar para comprar algo.