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FUAJ Tours

Faz tempo que não faço nenhum review, nem que eu posto no blog. Agora to de férias e pretendo mudar isso. Hoje vou fazer um review de mais um albergue, o FUAJ Tours, também membro da Hostelling Internacional. Já comentei isso outras vezes, e aqui vai mais uma. Para quem vai visitar o Vale do Loire, eu acho que a melhor opção é se hospedar em Tours ou Amboise e fazer de lá o bate e volta para os castelos. Como são cidades maiores, ofecerem mais opções, de lazer, comida, transporte e etc. Continue lendo

Azay le Rideau e o mito de Psique

Demorei um pouco mas estou de volta! O Azay le Rideau é um castelo pequeno, mas super charmoso. Este foi o último que visitei no Vale do Loire, e posso dizer que  gostei bastante.  Situado em Chinon, ele foi um dos primeiros de estílo renascentista a ser construído na região entre 1515 e 1527. Sua fundação está dentro do rio Indre. E a vista lateral do castelo, refletido na água do rio é muito bonita. Saem fotos belíssimas alí. A grande inovação da época deste castelo foi a escadaria central decorada, ‘escalier d’honneur’.

Lá acontecem exposições de diversos temas durante o ano, e no momento em que fui, havia desenhos, esculturas, tapeçarias que se encarregavam de contar o mito de Psique e Eros (A união do Amor e da Alma). Para quem não conhece, vou fazer um breve resumo. (Sempre gostei de mitologia grega…rs)

Psique era uma mortal  tão bonita, que causou ciumes em Afrodite, a Deusa da beleza, porque os homens deixavam de ir ao seu templo para admirar a jovem. Para se vingar, ela mandou seu filho Eros, Deus do amor, acertá-la com suas flechas para ela se apaixonar pela coisa mais feia que existisse. Só que sem querer, Eros acabou se ferindo com a própria flecha e ficou perdidamente apaixonado por Psique. Ele passou a “miguelar” flechas na direção dela. Então apesar de ter vários admiradores, ela não se interessava por ninguém, e ninguém também se tornava seu pretendente. O Oráculo de Apolo, influenciado por Eros, diz ao pai da garota que ela deve se casar com um ser monstruoso no alto de uma colina. Para não contrariar os deuses, eles se preparam para o casamento. Aos prantos ela sobe na colina, espera muito e adormece. Psique é levada para um lugar lindo, florido, onde é bem servida e tratada. Apesar de tudo ela se sente sozinha, até a noite, quando o marido chega. O Deus do Amor disfarçado, a enchia de prazeres e caricias e tudo mais. Só que ela não podia nunca procurar por ele, nem tirar seu capuz. Psique não sabia quem ele era – achava que era o ser mosntruoso. E Eros não podia contar, por temer que a ira da mãe caso descobrisse que ele não tinha feito o que ela tinha mandado. Por estar muito sozinha, Psique convence o marido a levar-lhe as irmãs para uma visita. Elas começam a ficar invejosas da irmã, com um palácio lindo e feliz, e armam para acabar com a felicidade dela. O plano é que Psique descubra a cara do marido, com uma lamparina. Ela ve que Eros, na verdade, é um homem muito bonito. Ao mesmo tempo ele acorda, se fere com oleo quente (uma chaga), diz que o Amor não existe sem confiança e parte para a casa da mãe. Psique fica vagando de templo em templo, pedindo ajuda aos deuses para que o tragam de volta e que ajudem a aplacar a ira de Afrodite, sem sucesso. Finalmente, ela encontra Afrodite que dá 4 tarefas desumanas a ela, para que possa se reconciliar com o Amor. Afrodite espera que Psique que passasse a vida inteira tentando realizá-las ou que perdesse a beleza no processo. Ela teve auxílio em todas elas e após a última, pegar um pouco da beleza de Perséfone (mulher de Hades) e entregar a Afrodite, ela fica vaidosa, não pretende se reencontrar com o marido feia e desgastada. Ela abre a caixa com a beleza e cai num sono profundo. Eros, já curado, convence a mãe a parar com a perseguição e convence Zeus a torná-la imortal para que assim, eles pudessem se casar. Afrodite aceita, porque como ela será imortal, os homens sairão mais do seu templo  para admirá-la pois ela estará no Olimpo, cuidado dos filhos e marido. E assim, tudo acaba bem. Quem quiser ler o mito mais completo pode clicar aqui

 

Então para os romanticos de carteirinha ou para as pessoas que gostam de mitologia, foi um prato cheio. É sempre bom verificar o que está acontecendo por lá. Pode ser algo interessante e o castelo é bem bonitinho também. O valor da entrada é:

Adultos : 8 € 
Estudantes, idosos e deficientes : 5 € 
Grupos (a partir de 20 adultos) : 6 € 
Menores de 18 anos: Gratuito

Algumas fotinhos: 

Vista da entrada
Vista da entrada
Vista da sacada do 1º andar

Vista da sacada do 1º andar

Lateral - o rio Indre

Lateral - o rio Indre

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Escultura de Psique e Eros
Escultura de Psique e Eros

Villandry e seus jardins

Não sou muito confiável quando o assunto é castelos, acabo sempre achando algo interessante neles, seja para ler, estudar ou visitar. Mas o Castelo de Villandry é fenomenal, e já decidi que quando voltar para a região, volto nele. Motivo: Uma chuva torrencial ‘limitou’ minha visita pelos magníficos jardins, e aposto que em dias ensolarados, eles devem ser ainda mais maravilhosos. Com certeza os mais bonitos que já vi. Vamos a história do castelo.

Ele fica a 15km de Tours. Foi um dos últimos grandes castelos construído na região do Loire, terminado em 1536. No local, conhecido como Colombiers, havia uma fortaleza da qual restaram apenas a fundação e a torre de menagem que se destaca do restante da construção. Os descendentes do proprietário original, conservaram o castelo do modo como eram até 1754, quando foi comprado e atualizado com os padrões de conforto e higiene do século XVIII. Depois disso, ele foi abandonado, tanto que chegou quase a ser demolido, tal eram as condições inabitáveis. Entretando, em 1906, Joachim Carvalho, o adquiriu e teve a brilhante idéia de restaurá-lo aos padrões renascentistas, e isso incluiu os jardins, do modo como os vemos hoje. 

Os jardins são divididos em cinco:

Jardim do amor – Suas formas expressam os tipos de amor existentes.

Jardim dos vegetais – Todo feito com plantas comestíveis como: repolho, beterraba. Nunca pensei que plantação de comida poderia ser tão harmoniosa e bonita. Quando as frutas e vegetais estão no ponto de serem colhidos, eles  são distribuídos aos visitantes. (Informação da guia)

Jardim musical – Sua disposição é uma homenagem aos instrumentos musicais e seus sons.

 Jardim das ervas -  O aroma deste jardim pode ser sentido de longe. É uma delícia passear por entre os arbustos de ervas medicinais e sentir os diversos cheiros.

Jardim da água - Possui um espelho d’agua no estilo Louis XV, e um clima de meditação e descanso, quando se olha a água parada, rodeada por verde.

Não tive tempo de ir ao labirinto, nem de ficar espalhada muito pelos jardins. Mas recomendo a todos, no Vale do Loire, este é um castelo que não se pode perder. Eu fique felicíssima, pois foi um dos castelos que mais amei, e ainda, onde eu gastei menos na entrada…rs

O valor da visita:

Adulto: €9 (castelo e jardins) €6 (só os jardins) 

Crianças e estudantes (- de 25 anos): €6 (C e J)€ 3,50 (j)

Quem quiser o audioguide, paga três euros a mais.

Castelo ao fundo

Castelo ao fundo

Vista do pátio

Vista do pátioJardim de vegetais

Jardim do amor

Jardim do amor

Chateau Royal d’Amboise

 O post dessa semana vai para um que elegi um dos meus castelos favoritos do Vale do Loire. Como disse a semana passada, ele fica pertinho do Clos Lucé, em Amboise. Para chegar, você tem que subir uma rampa altinha pois ele está em uma colina, passar por portões, uma aventura…rs  A história dele é tão cheia de reviravoltas, que nem tem como eu contar tudo aqui, mas vou resumir.
Contruído na idade média como uma fortaleza, o castelo se tornou propriedade real em 1434, sua localização estratégica, em frente ao rio Loire, fez com que ele se tornasse preferido do rei Louis XI. Após diversas remodelações aquitetônicas e expansões, se tornou a casa de três reis: Charles VIII, Louis XII, e Francois I.

Após os tempos de glória, diversos conflitos religiosos entre protestantes e católicos, envolvendo o ‘clã’  dos Bourbons e o ‘clã’ dos Guise, fizeram com que Amboise ficasse em segundo plano, e o Castelo se tornou uma prisão sob o reinado de Louis XIV. Durante a Revolução Francesa, grande parte do castelo foi destruída, à mando de Napoleão. E ainda para acabar de demolir matar, os alemães em 1940 causaram ainda mais danos ao castelo (Uma perda irreparável na minha opinião!!) Tanto que hoje, como pode ser visto na foto abaixo, está aberto ao público 10% do castelo original (informações do guia).

Apenas o que está em preto existe hoje

Apenas o que está em preto existe hoje

O exterior do castelo é belíssimo. Esse parece aqueles que a gente sonha em ter, se fossemos reis ou rainhas. Mas o que mais me impressionou foi a riqueza de detalhes. As paredes decoradas com o símbolo do rei da França, a flor de lis, e uma lareira magnifica que tem em um dos salões. Sem contar o exterior, que possui jardins enormes (como de praxe em castelos) e a capela de Saint-Hubert que abriga os restos mortais de Leonardo DaVinci. E para terminar a visita com muito requinte, embaixo do castelo, do lado de fora, existe uma cave onde você pode degustar diversos vinhos. Não sou nenhuma expert, (mas mãe e Guga tomaram e acharam muito bom) e ficam em torno de 5 -10 euros, a não ser que você queira a jóia da casa…rs Ah, o guia falou (depois que ja tinha degustado e comprado :S) que a especialidade dela são os vinho brancos.

Os valores  para a entrada no castelo, capela e jardins são:

Adultos: € 9,5  Estudantes: € 8 Crianças (7 a 14): € 6

Fotinhos do lugar 

Exterior

Exterior

Não dá para ver, mas as paredes são todas esculpidas

Não dá para ver, mas as paredes são todas esculpidas

Lareira

Lareira

Clos Lucé

 
Estive sumida por 1 semana para resolver assuntos pessoais, mas estou de volta com a série sobre os lugares do ‘Vale do Loire’.  A mansão Clos Lucé  não é um castelo,  mas tem sua importância  porque foi o local onde Leonardo DaVinci viveu por três anos e morreu em 2 de maio de 1519, aos 67 anos.  Aí vai uma dica, se você não curte muito DaVinci ou não tem interesse em ver coisas dele, saiba que pode dispensar a ida ao local. A casa está situada a 500 metros do Chateau Royal d’Amboise (Muito bonito e será tópico do próximo post) e dizem que é ligada ao castelo por um túnel subterrâneo, o qual o Rei Francois I utilizava para ter encontros com Leonardo, a quem admirava muito. O pintor, arquiteto e engenheiro trouxe com ele, três de suas mais importantes obras: A monalisa, A virgem e o menino com Santa Ana e São João Batista. 
Bicicleta e "carro"

A casa foi um emblema da renascença na França, sob o reinado de François I, e hoje é um tributo total ao grande artista italiano. A parte interior é como se fosse uma casa habitada. Os móveis estão lá, utensílios de cozinha, e o quarto de trabalho de Leonardo DaVinci também, com manuscritos originais. No subsolo, foi criado um espaço que deu vida às engenharias do engenheiro e arquiteto DaVinci. Alunos da IBM analisaram os projetos e manuscritos do artista e recriaram 40 miniaturas de suas obras, do modo que seriam feitos na época. Isso quer dizer, utilizando materiais, e tecnologia da época (Como a foto acima). Além disso, ao redor da casa, existe um enorme parque com 15 das invenções em tamanho natural: Pontes, a hélice em parafuso, canhão, o moinho de múltiplos cilindros… E vários pontos onde você senta e escuta algo sobre técnicas de pintura, e imagens mais importantes do pintor.

Uma pena que não consegui ver todas funcionando porque o tempo era curto, o dia longo e o parque gigante.

Endereço: 

Le Château du Clos Lucé – Parc Leonardo da Vinci

Dernière demeure de Léonard de Vinci

37400 Amboise

Val de Loire – France

Tarifas:

Alta temporada: €12,50 adultos, € 9 estudantes e € 7 crianças

Baixa temporada: € 9,50 adultos, € 7 estudantes e € 6 crianças 

 

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Lateral da casa

Lateral da casa

Castelo de Chenonceau

 Este castelo, é conhecido como o Chateau des Dames, sua história remonta ao século XIII, mas sua importância só surge por volta do século XVI, por causa das intrigas reais que o envolveram. Lá viveram mulheres famosas da história francesa como Diane de Poitiers (amante de Henrique II) e Catarina de Médici (mulher legítima e regente do país depois da morte de Henriquei II), além de 5 rainhas, a Rainha Margot (do filme, para quem o assistiu), Elisabeth de France, Marie Stuart, Elisabeth da Áustria e Louise de Lorraine. Ele possui jardins belos à sua volta, mas é mais famoso pelo peso histórico e coleção de mobiliário renascentista, e tapeçarias do século XVI e XVII. Ele está na margem do rio Cher. Quem quiser saber mais sobre a história pode clicar aqui ou visitar o site oficial aqui.

Pode ter sido azar meu, mas não fiquei tão feliz com a visita desse castelo, que depois de Versalhes, é o que recebe mais visitantes da França. (Prometo que ainda faço um post sobre o Magnífico castelo de Versalhes) O lado de dentro é muito bonito, a sala verde da Caterine de Médici, as tapeçarias (o cheiro de coisa velha), os móveis… Claro que ele é legal, como todos os castelos são para mim, e carrega uma importância histórica muito grande, mas fiquei decepcionada. Por que? Por causa do exterior. Achei que as fotos publicitárias dele mostravam um castelo muito mais bonito e imponente do que encontrei na realidade. O dia não estava muito bonito, e o castelo ainda estava em reforma, além de achar os tijolos carcomidos  ‘nao preservados’,  acho que o motivo da reforma. Quem quiser fazer uma visita ao castelo pela internet, as salas estão muito bem expostas aqui. Se eu soubesse teria dado prioridade à outros castelos que não deu tempo de ir e se voltar para lá, não visitaria Chenonceau de novo. Vale relembrar que as opiniões variam,  já ouvi pessoas dizerem maravilhas sobre ele, então acho que só estando lá para poder avaliar.  Do lado de fora, além dos jardins, existe um restaurante que dizem que é muito bom, L’orangerie, além da loja de souvenirs.

O valor de entrada
Adultos:
10 €
Crianças de 7 a 18 anos :
8 €
Estudantes – apresentando carteirinha e/ou comprovante :
8 €

As visitas com audio custam 4 euros a mais, independente da categoria na qual você se enquadra.

 Algumas fotinhos:

Vista lateral do castelo

Vista lateral do castelo

Entrada do castelo

Entrada do castelo, comigo na porta... rs

 

Quarto da Diana de Poitier, favorita do rei Henrique II

Quarto da Diana de Poitier, favorita do rei Henrique II

Aposento Luis XIV, criado para a visita do monarca

Aposento Luis XIV, criado para a visita do monarca

O labirinto

O labirinto

O Vale do Loire

castelos do loire

Quando comecei o curso de francês na Aliança Francesa – com uns 13 anos – recebi uma France Guide que falava sobre os castelos desta região. Fiquei apaixonada, e decidi de imediato que assim que fosse para a França, não iria deixar de conhecer pelo menos alguns. Fui, e continuei apaixonada, mas descobri que a região demanda muito mais tempo, para que possamos descobrir seus segredos. Então, estou disposta a voltar lá outras vezes. Mas o que é o Vale do Loire?

 O Loire é o rio mais longo da França, e ao longo dele estão localizados mais de 300 castelos, hoje, Patrimônio da Humanidade/UNESCO. As construções na região começaram com a necessidade da criação de fortalezas no século X, em plena idade média e suas infinitas disputas, sendo a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), a que mais atraiu nobreza para este local. Entretanto, a partir de 1461, o rei Luís XI transformou a região de Tours na capital francesa, e de lá iniciou a reconstrução do país. Influenciado pela posição central no território do reino, e pela proximidade do grande rio, que era o meio de transporte e comunicação mais importante da época. A mudança da nobreza para a região, nesta época, alterou a arquitetura dos castelos que era baseada no conceito medieval de fortificações. O rei Carlos VIII, com a contratação de artistas e arquitetos italianos para a corte, incentivou inúmeras  remodelações dos palácios com caracterísiticas renascentistas. Em 1594,  a capital da França  retornou à Paris, mas a região continuou importante para os reis e a nobreza, mas como local de lazer e casa de veraneio. Para quem gosta de história, como eu, é uma região fascinante, pois podemos vivenciar uma parte dos acontecimentos que  mudaram os rumos da civilização ocidental. Nesta região viveram Leonardo DaVinci, Catarina de Medici e Diane de Poitiers, Joana D’arc, Balzac e outras personalidades muito conhecidas. Para quem procura cidades românticas e bons vinhos, a região também oferece muitas opções.

O Vale do Loire é conhecido como o Jardim da França, também por apresentar terras férteis e cultiváveis. A culinária local é bem diversificada, apresenta abundância em queijos, vegetais e frutas. Além de produzir bons vinhos, seus principais Melon de Bourgogne (Muscadet), Chenin Blanc (Vouvray, Savennières, etc. e outros espumantes), Sauvignon Blanc (Sancerre, Quincy, Tourraine e outros da região central), Cabernet Franc (Chinon, Bourgueil, Saumur Champigny),
Pinot Noir (Sancerre Rouge). Quem gosta de vinhos, não pode perder a oportunidade de fazer degustações nas diversas Caves de lá. Os vinhos não são caros e são saborosos (para uma pessoa que não tem muitos conhecimentos sobre vinho, como eu… rs)

Este post teve como objetivo fazer uma introdução da importância histórica da região para a França, e que hoje também tem grande importância turística. Próximos virão com detalhes das cidades e dos castelos que visitei.